Como funciona a TESS, a sonda buscadora de planetas da NASA

TESS, a sonda buscadora de explanetas. Reprodução/NASA
TESS, a sonda buscadora de planetas. Reprodução/NASA

 

A busca por exoplanetas (planetas orbitando outras estrelas, fora do nosso Sistema Solar), e consequentemente a busca por vida alienígena, vai ganhar um aliado importante: a sonda TESS, ou Transition Exoplanet Survey Satellite (satélite de busca de trânsito de exoplanetas). TESS foi lançada ao espaço pela NASA num foguete Falcon 9, da Space X, no dia 18 de abril.

Mas o que tem o novo buscador que está tornando ainda maior a expectativa da comunidade científica? De fato, essa não é a primeira missão do gênero para encontrar mundos além do nosso sistema solar, incluindo alguns que poderiam suportar a vida extraterrestre. Até agora, a maior parte dos exoplanetas descobertos pelo mesmo processo de “trânsito” foram achados por outro telescópio espacial. Se você pensou no vovô da observação do espaço errou. Não, não foi o Hubble, mas o Kepler, lançado em 2009.

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Como seu antecessor, o Kleper falhou miseravelmente num primeiro momento. Os técnicos da NASA conseguiram resolver, mas o equipamento acabou apontado apenas para o quadrante no céu que seria seu objetivo secundário de pesquisa (a chamada missão K2). Mesmo assim conseguiu descobrir 2.500 novos planetas, alguns sistemas complexos e identificou indícios de outros 2.800 desses mundos alienígenas distantes que aguardam confirmação.

Sonda Kepler K2
Sonda Kepler

 

A nova sonda, no entanto, será muito mais precisa – pelo menos é o que os cientistas esperam.

“Estamos emocionados que a TESS esteja a caminho para nos ajudar a descobrir mundos que ainda não imaginamos, mundos que poderiam ser habitáveis ​​ou abrigar vida”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da NASA em Washington. “Com missões como o Telescópio Espacial James Webb para nos ajudar a estudar os detalhes desses planetas, estamos cada vez mais perto de descobrir se estamos sozinhos no universo.”

Como será a missão da TESS

Ao longo de várias semanas, TESS usará seis dos seus propulsores para viajar em uma série de órbitas progressivamente alongadas para alcançar a Lua, que fornecerá a assistência gravitacional (manobra estilingue) para que possa se transferir para sua órbita final de 13,7 dias em torno da Terra. Após aproximadamente 60 dias de check-out e testes de instrumentos, a espaçonave começará seu trabalho.

“Uma peça fundamental para o retorno científico da TESS é a alta taxa de dados associada à sua órbita”, disse George Ricker, pesquisador principal da TESS no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge. “Cada vez que a espaçonave passa perto da Terra, ela transmite imagens de quadro completo tiradas com as câmeras. Essa é uma das coisas únicas que a TESS traz, o que não era possível antes ”.

 

Telescópio TESS
Telescópio TESS

 

Para esta missão de pesquisa de dois anos, os cientistas dividiram o céu em 26 setores. A TESS utilizará quatro câmeras exclusivas de campo amplo para mapear 13 setores que abrangem o céu do sul durante seu primeiro ano de observações e 13 setores do céu do norte durante o segundo ano, cobrindo 85% do céu.

A TESS estará atenta aos fenômenos chamados trânsitos. Um trânsito ocorre quando um planeta passa na frente de sua estrela da perspectiva do observador, causando uma redução periódica e regular no brilho da estrela. Mais de 78% dos aproximadamente 3.700 exoplanetas confirmados até hoje foram encontrados usando trânsitos.

Os exoplanetas encontrados pelo Kepler em sua maioria orbita van estrelas fracas, entre 300 e 3.000 anos-luz da Terra, usando o mesmo método de observação de trânsitos. A TESS se concentrará em estrelas mais próximas, entre 30 e 300 anos-luz de distância, e 30 a 100 vezes mais brilhantes que os alvos de Kepler.

O brilho dessas estrelas-alvo permitirá aos pesquisadores usar espectroscopia, ou seja, o estudo da absorção e emissão de luz, para determinar a massa, a densidade e até a composição atmosférica do planeta. A água e outras moléculas-chave em sua atmosfera podem nos dar dicas sobre a capacidade de um planeta para abrigar vida.

“Os alvos que a TESS buscará serão temas fantásticos para pesquisas nas próximas décadas”, disse Stephen Rinehart, cientista do projeto TESS no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland. “É o começo de uma nova era de pesquisa sobre exoplanetas”.

Através do TESS Guest Investigator Program , a comunidade científica mundial poderá realizar pesquisas além da missão principal da TESS em áreas que vão da caracterização de exoplanetas a astrofísica estelar, galáxias distantes e ciência do sistema solar.

A TESS é uma missão da NASA Astrophysics Explorer liderada e operada pelo MIT e gerenciada por Goddard. George Ricker, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT, serve como investigador principal para a missão. As quatro câmeras de campo amplo da TESS foram desenvolvidas pelo Lincoln Laboratory, do MIT. Outros parceiros incluem o Orbital ATK, o Ames Research Center da NASA, o Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics e o Space Telescope Science Institute. Mais de uma dúzia de universidades, institutos de pesquisa e observatórios em todo o mundo são participantes da missão.

 

 

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